Assim aos poucos vai sendo levada
a tua Amiga, a tua Amada!
E assim de longe ouvirás a cantiga
da tua Amada, da tua Amiga.
Abrem-se os olhos – e é de sombra a estrada
para chegar-se à Amiga, à Amada!

Fecham-se os olhos – e eis a estrada antiga
a que levaria à Amada, à Amiga.

(Se me encontrares novamente, nada
te faça esquecer a Amiga, a Amada!
Se te encontrar, pode ser que consiga
Ser para sempre a Amada Amiga

E assim aos poucos vai sendo levada
a tua Amiga, a tua Amada!
E talvez apenas uma estrelinha siga
a tua Amada, a tua Amiga.

Para muito longe vai sendo levada,
Desfigurada e transfigurada.
Sem que ela mesma já não consiga
dizer que era a tua profunda Amiga.

Sem que possa ouvir o que tua alma brade:
que era tua Amiga e que era a tua Amada.
Ah! do que disse nada mais se diga.
Vai-se a tua Amada – vai-se a tua Amiga!
Ah! do que era tanto, não resta mais nada...
Mas houve essa Amiga! Mas houve essa Amada

